Dor nas costas: quando a farmácia ajuda
A dor lombar é o problema crónico mais comum em Portugal. O que ajuda, o que evitar e os sinais que exigem médico, ou urgência no próprio dia.
Por Redação Farmazzine

Se lhe doem as costas, está longe de estar sozinho. No Inquérito Nacional de Saúde 2025 do INE, as dores lombares crónicas foram o problema crónico mais referido em Portugal: cerca de 3,2 milhões de pessoas com 15 ou mais anos (31,7%). Segundo a OMS, cerca de 1 em cada 13 pessoas no mundo tinha dor lombar em 2020, a principal causa de incapacidade.
Na maioria das pessoas, uma crise de dor lombar sem sinais de alarme melhora ao fim de algumas semanas. A farmácia pode ajudar a passar essa fase e a perceber quando a dor precisa de outro olhar.
O que costuma ajudar
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Manter-se ativo
Continuar as atividades do dia a dia ajuda mais do que ficar deitado. O repouso prolongado na cama não é recomendado.
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Exercício e movimento
Caminhar, exercícios orientados e, quando indicado, fisioterapia.
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Calor local
Um saco de água quente, sem queimar a pele, pode aliviar por algum tempo.
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Pausas e mudanças de posição
Quem passa muitas horas sentado deve levantar-se e mexer-se com regularidade.
Medicamentos ao balcão: com conta, peso e medida
- 1
Anti-inflamatórios em gel ou creme
Opção para dor localizada. Lave as mãos depois e não use em pele ferida.
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Anti-inflamatórios em comprimido
Na dose mais baixa e durante o menor tempo. Fale antes com o farmacêutico se tem problemas de estômago, doença dos rins ou do coração, tensão alta, asma, se toma anticoagulantes, antiagregantes ou medicamentos para a tensão, se tem mais de 65 anos ou se está grávida.
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Paracetamol
A NICE indica que o paracetamol sozinho não deve ser oferecido para a dor lombar, porque o benefício é pequeno.
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O que evitar
A OMS desaconselha, na dor lombar crónica, os opioides (risco de dependência) e as cintas ou faixas lombares.
Se a dor não melhora ao fim de algumas semanas, ou volta com frequência, marque consulta no médico de família.
Sinais de alarme: urgência no próprio dia
Vá à urgência de imediato, ou ligue 112, se a dor nas costas vier com:
- 1
Dormência ou formigueiro na zona genital, no ânus ou na parte interna das nádegas.
- 2
Dificuldade em começar a urinar, menos sensação ao urinar, ou perda de controlo da bexiga ou do intestino.
- 3
Fraqueza nas pernas que vai piorando, ou ciática nas duas pernas ao mesmo tempo.
Estes sinais podem indicar compressão grave dos nervos no fundo da coluna (síndrome da cauda equina).
Sinais que exigem médico em breve
Marque consulta, ou ligue para o SNS 24 (808 24 24 24), se a dor:
- 1
Vem com febre ou sensação de estar doente.
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Aparece com perda de peso sem explicação.
- 3
Surge em quem já teve cancro.
- 4
Começou depois de uma queda ou acidente, sobretudo com osteoporose ou corticoides há muito tempo.
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É constante, piora à noite e não alivia com o repouso.
- 6
Surge em quem tem o sistema imunitário enfraquecido.
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Não melhora ao fim de algumas semanas, ou desce pela perna até abaixo do joelho e não passa.
Dor no peito, falta de ar, ou dor intensa na barriga que vai para as costas não são «dor de costas»: ligue 112.
O que fazer agora
Se a dor é recente e não tem sinais de alarme, mantenha-se ativo e fale com o farmacêutico antes de escolher um anti-inflamatório: ele confirma, com a sua lista de medicamentos e doenças, o que é seguro para si. Guarde esta lista de sinais de alarme.
Referências
- INE — Inquérito Nacional de Saúde 2025, 24/06/2026, e Revista Eletrónica do INE, julho de 2026.
- OMS — Guidelines on chronic low back pain, 07/12/2023.
- NICE — Low back pain and sciatica in over 16s (NG59), 2016, atualizada em 2020.
- NICE CKS — Back pain – low (without radiculopathy).
- French SD et al. — Superficial heat or cold for low back pain, Cochrane 2006;(1):CD004750.
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